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Inês Moura partilha o relato de parto da sua filha, Violeta.

dog on beach

No sábado, 14 de julho, senti pela primeira vez algo fora do normal. Durante todo o dia tive várias perdas de líquido, pareciam pequenos jactinhos de líquido transparente e inodor que me encharcavam as cuecas de tempos a tempos.

Não me preocupei muito, mas liguei à parteira por descargo de consciência. Ela disse que, assim isoladamente, as perdas não eram algo preocupante, portanto relaxei.

No dia seguinte não houve perdas até ao final da tarde, quando noto, ao limpar-me depois de um xixí, uma tonalidade rosada no papel. Pareceu-me muito bonito, cheirei aquela secreção e fiquei maravilhada: cheirava a fruta! Um cheiro docinho como fruta tropical, gostei ainda mais daquele liquidozinho que me dizia cá dentro que o parto se aproximava.

O líquido rosado com cheiro a fruta manteve-se pelo resto desse dia e pelo próximo. Liguei de novo à parteira e ela disse-me que a cor do líquido podia indicar uma ruptura das membranas e que, já que o início das perdas tinha sido no sábado e já íamos a segunda-feira, era conveniente que o trabalho de parto começasse o mais rapidamente possível. Esta pressa devia-se em especial ao facto de eu ter streptococus B positivo e ao consequente risco de infecção acrescido para a bebé caso existisse realmente uma ruptura.

O parto estava todo preparado para acontecer em casa de uns super amigos do coração que nos convidaram a fazê-lo lá para podermos usufruir de todo o espaço, da casa semi-vazia e do gigante jardim e quintal. No entanto, nesse fim de semana, a Lucy, uma das cadelas, tinha sido operada e, como havia ainda obras em casa dos nossos amigos, fomos uns dias para a nossa casinha durante a convalescença da Lucy. Portanto, quando falei com a parteira estava na minha casa, por acaso com a minha mãe de visita e o carro à porta. Juntei tudo o que tínhamos levado de volta para o fim de semana, mais a Lucy e rumámos à nova casa, onde estavam os ingredientes dos chás de parto.

Durante o resto desse dia bebi chá de framboeseiro (folhinhas dadas por uma grande amiga) e o maravilhoso chá da Naoli ( para o qual o Luís foi buscar as folhas de abacateiro ao jardim de outros bons amigos) e terminei de lavar o pano porta-bebé que tinha começado a tingir.

Nessa noite senti contracções pela primeira vez. Acordei com uma pressão forte num ponto algures entre o fundo das costas e o períneo. Repetiu-se de meia em meia hora e fui adormecendo pelo meio, a sentir-me muito feliz.

Pela manhã falei com a parteira, com quem tinha planeado uma visita para essa tarde, e combinámos que ela viria apenas na tarde do dia seguinte. Contracções de meia em meia hora não são sinal de bebé iminente, mas indicam que o processo se iniciou, o que nos tranquilizou quanto ao potencial risco de complicações advindas de uma ruptura prolongada sem trabalho de parto. De qualquer forma, ela disse-me que continuasse a tomar os chás e fizesse o possível por acelerar o processo, acrescentando, como sempre, que a chamasse caso sentisse que precisava dela.

Esse dia, terça-feira, passou-se com a casa finalmente sem obras, a usufruir do pátio e do jardim, entre muitas subidas e descidas de escadas e chás de parto, com contracções esporádicas. Pelo final da tarde fomos passear junto ao mar com uns amigos e as cadelas. Foi um fim de dia agradável e, enquanto caminhava junto ao mar, recolhi cinco conchinhas que prendi ao vestido, uma por cada um da nossa família (eu, o Luís, a Violeta, a Pedra e a Lucy). O início do colar de parto já balançava ao meu pescoço. Quando nos íamos embora, pela marginal fora em direcção ao carro, demos por que uma das cadelas, que iam à nossa frente, não estava à vista. Separámo-nos e fomos à procura. Ainda foram duas horas de caminhada em ritmo acelerado, com contracções pelo meio, cheia de preocupação, até ela ser encontrada. Foi a contribuição da maya para a chegada da nossa Violeta 🙂

Nesta noite, por volta das 3 ou 4 da manhã, voltei a ser acordada por contracções. Com o Luís, fomos contando o tempo e nunca foi maior que dez minutos entre cada uma, na maioria das vezes eram só cinco minutos.
Assim, pelas 7 da manhã, ligámos à parteira e pedimos-lhe que viesse. As contracções de cinco em cinco minutos durante duas horas eram o momento combinado para a chamar. Ainda tentei descansar um pouco mais, mas não consegui ficar deitada, levantei-me pouco depois com uma vontade enorme de arrumar o quarto! Organizámos tudo e tomei o pequeno almoço trazido pela muni, a amiga que nos recebeu na sua casa.

A parteira chegou pelo final da manhã. Por essa altura as contracções tinham abrandado consideravelmente. Ela examinou-me e estava ainda só com dois centímetros de dilatação. Sentámo-nos as duas no pátio e conversámos ao solinho enquanto o Luís e a muni faziam o almoço.

Durante o almoço, a parteira disse-me para relaxar, tentar não ficar tão tensa quando vinha uma contracção. Poucas vezes ela me deu indicações directas sobre como agir (as escolhas ficaram sempre a meu cargo), mas foram sempre guias imprescindíveis que me transmitiram confiança, tanto em mim como nela.
Durante a tarde as contracções voltaram a ser regulares e eu recebi-as com vontade. Dava-me prazer senti-las por saber que me aproximavam da violeta.
O luís não saiu nunca do meu lado, ajudou-me com tudo que fui precisando e preparou tudo de antemão com um cuidado, amor e atenção incríveis.

Umas quantas vezes esmaguei-lhe a mão ou o braço durante uma contracção, mas na maioria delas apoiava-me em móveis pela casa. O armário do quarto foi o preferido durante a manhã. Pela tarde passei a preferir apoiar-me em móveis mais baixos, onde me podia reclinar sobre os braços e libertar as pernas do peso do corpo, concentrando-me apenas na pressão que estava a sentir. Os eleitos foram o lavatório e um movelzinho do quarto. O conforto que me dava apoiar-me nesse móvel vai acompanhar-me por toda a vida. Era começar a sentir a contracção, pousar os antebraços, abrir as pernas, baixar os quadris e entregar-me. Se abrisse os olhos via à minha frente uma deusa arco-íris pintada pelo Luís, aos pés dela uma foto da bebé nair, filha de uma amiga, para o baby power, o nariz inebriado com o cheiro doce e maravilhoso de um raminho de jasmim enviado pela mãe da muni e os braços apoiados sobre o anuário da grande mãe. Sentia-me plena, feliz e muito bem acompanhada naquele cantinho.

É algo de que não tenho bem noção, mas o Luís diz que, desde que as contracções começaram, eu vocalizava algo profundo, como um ohm constante, sempre que vinha uma. Ele diz que essa foi a meditação instintiva que me guiou em todo o processo. Pensando nisso, vejo que ele tem razão, era o meu corpo a agir para além de mim. Não fiz qualquer tipo de preparação para o parto e sempre soube que o meu corpo ia saber o que fazer.

Pelo final da tarde, a parteira sugeriu-me sair um pouco do quarto (onde estava o tal móvel-altar), onde se ouvia muito o trânsito na rua, e ir um pouco até lá fora à piscina. A ideia pareceu-me, pela primeira vez, excelente! A piscina estava preparada desde o dia anterior e durante o dia o Luís tinha deixado garrafões de água ao sol para termos água quente e amiga do ambiente para quando eu quisesse ir para a piscina.

Estivemos os dois (os três eheheh) lá dentro umas horas e foi mesmo muito agradável. A água fazia-me sentir menos a gravidade , as contracções era muito menos intensas e o flutuar ali, mais o Luís sempre a cobrir-me a barriga e as maminhas com água quente, souberam muito bem.

Saí com o início do anoitecer, chamada pela parteira, que estava preocupada que eu apanhasse frio. Também estava com uma imensa vontade de fazer xixi. Ao levantar-me senti uma pressão muito forte na bexiga, tanto que me era difícil andar.

Subi as escadas com dificuldade, mas o mais rápido que pude e fui directa para a casa de banho. A parteira continuava preocupada com o frio, mas eu só pensava no xixi. Sentada na sanita, nada vinha, apesar da imensa vontade. Acho que ainda tive uma contracção e aí veio o xixi, explosivo e bastante doloroso, a sair num longo jacto que todos ouviram do lado de fora da casa de banho.

Em seguida voltei para o quarto, que me pareceu um ambiente tranquilo e quentinho, para me vestir. O Luís ajudou-me e a parteira veio pouco depois, pedindo que calçasse umas meias. Depois ela chegou-se a mim, olhou-me, sorriu e perguntou se sentia que estas contracções eram diferentes. Eram pois! Sentia-as com o corpo todo, davam-me vontade de deixar de ter peso e apoiar-me apenas nos braços. Veio outra contracção e ela segurou-me num abraço muito forte, muito próximo dela, uma das mãos a pressionar o fundo das minhas costas. Que poderoso, aquele abraço! Ficámos assim enquanto durou a contracção e depois, quando nos soltámos, apenas sorrimos uma à outra. Ela sugeriu que, apoiada no meu móvel-altar, fizesse movimentos em forma de oito com as ancas, eu assim fiz.

Entretanto, comecei a ter menos consciência do que se passava à minha volta. Estava no meu mundinho, apoiada ao altar, envolta no perfume a jasmim e nas contracções, a «cantar» com elas. Só me lembro vagamente do Luís e da muni numa roda viva a preparar a cama e a trazer uma cadeira. A cadeira foi pousada ao contrário em cima da cama e almofadada e eu passei a apoiar-me nela, numa posição de joelhos.

Entreguei-me às contracções. Continuei no meu mundo de sons que saíam da garganta, sentia-me muito feliz com cada nova contracção, sem qualquer dor, só uma pressão forte no centro do corpo, na boca que se abria. Lembro-me de sorrir muito, virada para a parede, o Luís e a muni faziam-me massagens. A parteira disse várias vezes que, se sentisse vontade, podia puxar, mas não sentia ainda. Tentei uma vez, mas senti-o forçado, por isso não insisti, não era ainda tempo.
A posição não era totalmente confortável para os joelhos, mas era a que em que me apetecia mais estar, embora a parteira tivesse lembrado que podia mudar sempre que quisesse. Lembro-me de sentir muito calor, de suar muito muito, de ter tirado o vestido e depois também o colar de parto, nem isso suportava sobre mim. Sempre que olhei para a água, a parteira soube que tinha sede, nunca precisei de a pedir. Sentia as festas e massagens do Luís nas costas e da muni nas pernas, não os via, mas sabia-me bem tê-los ali. Não me lembro se pedi ou me ofereceram uma toalha molhada e enrolei-a ao pescoço, foi uma frescura maravilhosa. Pedi que me tirassem as meias, tinha calor em todo o lado.

Não sei bem quanto tempo passou, mas a um certo momento a parteira pediu que me virasse, para me examinar. Sorri-me e diz que afinal eu sempre tinha razão e a violeta só ia nascer no dia 19, eu ainda só tinha 7 centímetros de dilatação.
Era mais ou menos meia noite e todos decidimos ir descansar um pouco. Eu sentia que precisava de dormir um bocado, portanto lá fui com o luís para a cama.
Deitámo-nos, mas o tão desejado descanso não chegava. Não tinha tempo para adormecer entre contracções, que estavam também cada vez mais fortes. E não queria acordar o Luís, que me parecia que tinha adormecido (e estava acordado, preocupado, mas a deixar-me ficar ao meu ritmo).

Ficar deitada na cama parecia-me terrível e quase insuportável, fui à casa de banho umas três vezes, tentar fazer xixi, mas demorava até conseguir e a urina saía numa pequena explosão dolorosa, como quando saí da piscina.

66860023 - March 2011

Cada vez mais descontrolada, decidi levantar-me de vez e ficar na casa de banho. Estava a sentir dores pela primeira vez e a perder a confiança que sentia até aí. Sentei-me na sanita e tentei controlar-me com muita dificuldade. Lembrei-me do que a parteira tinha dito nessa tarde, para me relaxar e tentar não ficar com o corpo todo em tensão. Para não cerrar os punhos, pousava a mão direita no móvel do lavatório à minha frente e sentia a pressão da palma contra a superfície. Estava a sentir-me sozinha e assustada e isso foi a brecha por onde entrou a dor que ainda não tinha sentido. Mesmo assim, aguentei-me um pedaço, o «cantar» mais desesperado e alto.

Num certo momento, doeu-me mais e senti algo romper-se e sair de mim em jacto. Espreitei para a sanita e vi sangue e líquidos. As membranas tinham-se rompido. Aí já não aguentei mais e gritei pelo Luís, que veio a correr. Pedi-lhe que fosse acordar a parteira e também ela veio para perto de mim. Sentou-se ao meu lado, com um brilho de confiança nos olhos, que me começou a trazer de volta ao meu centro. Ainda demorou um pouco. Antes de me acalmar, lembro-me de gritar pela primeira vez, gritei cada vez que vinha uma contracção, sentia que gritava para acordar a noite toda. Acordei a muni, que também desceu para junto de nós. Lembro-me vagamente de ela e o luís entrarem e saírem da casa de banho, a fazer coisas pedidas pela parteira. Eu não ouvia nada. O colar de parto soltou-se sozinho e quase caiu na sanita, tive reflexos para o apanhar a tempo e pousei-o no móvel, onde acabou por ficar. Aos poucos, acalmei-me totalmente e a confiança voltou, a respiração tranquilizou-se, parei de gritar e as contracções deixaram novamente de doer como antes. Sentia o corpo a começar a fazer força sozinho e percebi o que a parteira queria dizer com «se sentires vontade de puxar». Ela continuou sentada ao meu lado, fazia um sorriso quando olhava para ela e dizia que me estava a portar muito bem. Foi linda e mágica a forma como me ajudou a acalmar só com o seu sorriso e a sua presença.

Pouco tempo depois, pediu-me que me levantasse, colocou um penso entre as minhas pernas e voltámos para o quarto. Tinham preparado tudo de novo e voltado a colocar a cadeira em cima da cama. Voltei para a posição de joelhos, apoiada na cadeira.

Agora todo o meu corpo dizia para puxar, para fazer força. Eu fazia o que ele me dizia, mas custava muito. Sentia a cabeça da violeta descer um pouco, fazia toda a força que conseguia e depois não podia mais e largava e lá subia de novo a cabecita. A parteira explicou que era mesmo assim, era ela a preparar o seu caminho. Fiquei mesmo muito ofegante das primeiras vezes que isto aconteceu e a parteira pediu-me que tentasse controlar a respiração, senão ia ficar com demasiado ar dentro de mim. Assim fiz e consegui lembrar-me destas palavras de cada vez que percebi que estava a arfar demasiado. Volta e meia a parteira pedia que me erguesse um pouco nos joelhos para escutar o batimento cardíaco da bebé e estava sempre lá, ritmado e tão lá em baixo, quase em cima da minha púbis.
Durante algum tempo ficámos assim, eu a puxar com todas as forças a cabecita que teimava em sempre subir. Sentia que não tinha força suficiente para fazer melhor, pensava coisas parvas como «nunca mais quero ter filhos» eheheheh. A parteira explicou-me que não puxasse com a garganta mas com o centro do corpo que se abria.

Então a parteira pediu que me virasse de costas para baixo, queria examinar-me de novo. Saí da cadeira, que me começava a magoar os joelhos, e encostei-me ao Luís, reclinada sobre ele e demos as mãos.

Ela observou-me, mas chegou logo a próxima contracção. Com ela, a minha perna direita saltou para cima, a esquerda foi atrás e comecei a puxar com força renovada. Acho que estava mesmo a precisar de mudar de posição!

A parteira riu-se, disse algo como «então vamos da forma tradicional» e eu puxei cada vez mais. De vez em quando, ela lembrava-me que não puxasse com a garganta e que juntasse o queixo ao peito. Eu tinha vontade que me empurrassem as pernas para trás e cada vez fazia mais força, a esmagar as mãos do Luís nas minhas, completamente cega a tudo o que me rodeava. Depois, ele contou-me que fazíamos como um jogo do braço de ferro com ambas as mãos, equilibrando a força dos dois no meio, num esforço conjunto.

Pouco tempo depois, a parteira disse-me que a bebé já estava na vagina, agora já não ia voltar para trás, e pediu que, quando eu já não conseguisse puxar mais, prendesse os músculos vaginais, arfasse com toda a força e voltasse a puxar. Numa dessas vezes, ela perguntou se eu queria sentir a cabecinha da violeta, respondi que sim, estiquei a mão, toquei-me, mas não conseguia distinguir se estava a tocar a mim ou a ela, por isso tirei logo a mão e voltei a concentrar-me nas contracções. Puxei não mais que três ou quatro vezes e sentir finalmente o meu corpo esticado ao máximo, a cabeça a coroar e a saltar cá para fora. Até aí eu esperava ou seguia a indicação da parteira para puxar de novo, mas ao sentir a cabeça dela cá fora só quis continuar. Puxei com toda a força e lá veio o corpinho de seguida. Eram 02:20 da manhã.

Mãos passam-ma e só sinto uns soluços do tamanho do mundo, como se quisesse chorar e rir ao mesmo tempo. Pouso-a em cima de mim, ela tem os olhos tão abertos! O maxilar largo, imenso cabelo, a minha mão agarra aquele rabinho maravilhoso. Tão limpinha, com a pele tão suave. E ela olha para mim com um olhar incrivelmente profundo, depois para o pai, outra vez para mim e de novo para o pai. Não chorou, fez uns sonzitos leves, apenas observava. Fez xixi em cima de mim, uma onda quente e tão boa a escorrer-me pela barriga. Os meus soluços transformaram-se num riso incontrolável, os quatro olhamo-nos e rimos sem parar, uma onda de felicidade enche o quarto. A parteira pergunta-me se já lhe contei os dedinhos, respondo que não e ela sugere que a pouse em pouco nas pernas dobradas, para a ver melhor. Que delícia, que amor tão grande!
Uns cinco minutos depois sinto nova vontade de puxar e nasce a placenta, uma massa quente e molinha. Mostram-ma e eu agradeço-lhe. A parteira perguntou o que queríamos fazer com ela e, como ainda não sabíamos, colocou-a num saquinho cor de rosa, ao nosso lado.

Continuei a rir e a rir sem parar durante muito tempo, algo histérica de felicidade. Não conseguia deixar de olhar para ela, cheia da incrível sensação de «então eras tu que estavas dentro de mim», reconhecimento e espanto, tudo misturado.

Outro motivo de felicidade foi quando a parteira me disse, com um grande sorriso, que nada tinha rasgado! Basta dar tempo ao corpo.

Estive com a violeta em cima do peito bastante tempo, cheia de amor, alegria e felicidade. Tentei pô-la na maminha, mas ela não aceitou, por isso continuei com ela juntinho a mim, num abraço quente e bom. O Luís preparou a cama para dormirmos e trouxe as roupinhas para lhe vestirmos. Decidimos cortar o cordão, foi o luís que o fez.

As cadelas puderam finalmente entrar no quarto e vieram cumprimentá-la e cheirá-la.

A parteira pesou-a e mediu-a (2720kg, 49 cms) e vestimo-la pela primeira vez.
Aí fomos dormir, em família, com uma fadinha encantada no nosso meio.

Esta foi a melhor experiência da minha vida. Agradeço à Violeta, ao Luís, à Mary e à Muni.

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Inês Moura shares the birth story of her daughter, Violeta.

On Saturday the 14th of July I felt for the first time something out of the ordinary. All through the day I had several small gushes of this odourless transparent liquid that would wet my underwear from time to time.
I didn’t worry too much, but called the midwife just to be reassured. She said that isolated losses of fluid were not to be concerned, so I relaxed.

The next day there were no losses until the end of the afternoon when I noticed, while cleaning myself after a pee, a rosy tone on the toilet paper. It seemed so beautiful, I smelled that secrection and was overwhelmed: it smelled like fruit! A sweet smell of tropical fruit and I appreciated even more that liquid spoke to me saying that labour was approaching.

The pink, fruit scented liquid was there for the rest of that day and the following. I called the midwife again and she said that the colour of the liquid might indicate a rupture of membranes and that, since the secretions began on saturday and it was already monday, it was convenient for labour to arise as soon as possible. This stance was especially due to the fact that i was streptococus B positive and the consequent risk of infection to the baby in case there was really a rupture of membranes.

We had everything ready for the birth to happen at the house of our super close friends Muni and Hugo, who had invited us to have it there in order to enjoy all the space, the semi empty house and the huge garden and backyard. However, on that weekend, Lucy, our dog, had had surgery and, since there was a renovation going on at our friends house, we had gone back to our place for a few days until she was feeling stronger. So when I spoke to the midwife I was at our home and my mum was visiting so she helped us carry everything we had brought to spend the weekend, plus Lucy, and we all headed back to our new house where we had all the ingredients for the birthing teas.

During the rest of that day i drank raspberry leaf tea (leaves given by a very good friend) and the wonderful Naoli tea (for which Luís, my partner, went to collect the avocado leaves at another good friend’s garden) and I finished washing the baby carrier that I had started to dye.

On that night I felt contractions for the first time. I woke up with a strong pressure on this point somewhere between my lower back and the perineum. This sensation repeated itself every half an hour and I kept falling asleep in between them, feeling very happy.

By morning time I spoke again to the midwife. We had scheduled her to visit that afternoon, but we decided that she would only come the next day. Contractions every half an hour are not a sign of a baby’s impending arrival, but do mean that the process has started, which made me relax regarding the eventual risk of complications from a prolonged rupture without labor. Anyway, she said to keep having my teas and to try my best to speed up things, adding, as usual, that I should call her whenever I felt I needed her.

That day, Tuesday, went by with the house finally peaceful without the renovation work, simply enjoying the yard and the garden, climbing lots of staircases and having birthing teas, with sporadic contractions. By the end of the afternoon we went for a walk by the sea with some friends and all our dogs. It was a pleasant evening and, while walking close to the sea, I collected five little seashells and attached them to my dress, one for each member of our family: me, Luís my partner, Violeta the unborn baby, Pedra and Lucy the dogs. The beginning of the birthing necklace was already hanging from my neck. When we were leaving, along the boardwalk going back to the car, we noticed that one of the dogs, who had been running ahead of us, was missing. We all split up and went looking. It was two hours of worrying, walking in a fast pace, being stopped by contractions, until she was found. It was Maia’s contribution for the coming of our Violeta 🙂

That night, around 3 or 4am, I was again awakened by contractions. Together with Luís, we counted the time apart between them and it was never more than 10 minutes, most times it was only 5 minutes.

So, around 7am, we called the midwife and asked her to come. Contractions five minutes apart for more than two hours were the agreed sign to call her. I still tried to rest a bit more, but I couldn’t remain lying down, so I got up soon after with an incredible urge to tidy the room! We organised everything and I had the breakfast brought by Muni.

The midwife arrived by the end of the morning. By that time contractions had slowed down considerably. She examined me and I was only two centimetres dilated. We sat together in the patio and chatted under the sun while Luís and Muni cooked lunch.

During lunch, the midwife told me to relax, to try not to become so stiff whenever I felt a contraction. Only a few times she gave me direct guidances about how to act (choices were always up to me), but those few were vital to transmit confidence, in myself and in her.

All along the afternoon the contractions became regular again and I welcomed them with great pleasure. It was delightful to feel them, knowing they were bringing me closer to Violeta.

Luís never left my side, helped with everything I was needing or wanting and prepared everything ahead with great care, love and attention.
A few times I crushed his hand or arm during a contraction, but most times I just leaned on furniture around the house. The bedroom closet was my favourite during the morning. In the afternoon I preferred leaning on lower cabinets, where I could bend over my arms and release the weight of my body from the legs, focusing only on the pressure I was feeling. The chosen ones were the hand washing basin in the bathroom and a small night stand in the bedroom. The comfort I was feeling by just leaning on that night stand will remain with me all my life. When I started to feel a contraction I would lay there my arms, open the legs, lower the hips and just give in to the sensations. If I opened my eyes I would see staring back at me a rainbow goddess painted by Luís, by her feet a picture of baby Nair, daughter of a friend, for baby power, my nose intoxicated by the sweet smell of a jasmine twig sent by Muni’s mother and my arms resting over the fantastic book Anuário da Grande Mãe. I was feeling whole, happy and in very good company.

It’s something that I’m not quite aware of, but Luís told me that, since the contractions began, I was vocalising something deep, as a constant ohm, each time another came. He says that was the instinctive medication that guided me through all the process. Thinking about it, I reckon he is right, it was my body acting beyond me. I didn’t attend any kind of preparation for birth and labour and always knew that my body would know what to do.

By the end of the afternoon, the midwife suggested that I leave the room (where that nightstand-altar was) for a while, where the sounds of traffic outside were very present, and went a bit to the pool. The idea seemed, for the first time, excellent! The pool had been prepared the day before and during the day Luís had left many water jugs in the sun to warm up, so we could have lots of hot environmentally friendly water whenever I wanted to go in.

We were both (actually, the 3 of us!) inside the water for a couple of hours and it was really pleasant. The water helped me not to feel the gravity so much, the contractions were less intense and floating there, Luís constantly covering my belly and breasts with hot water, was really nice.

I came out along with the coming of the evening, called by the midwife who was worried that I might catch cold. I was also with an enormous urge to pee. While standing I felt a really strong pressure on my bladder, so much that I almost couldn’t walk.

I climbed the garden stairs with difficulty, but as fast as I could and went straight to the toilet. The midwife was still concerned with cold, but all I could think of was peeing. Sitting on the toilet, nothing was coming, despite my great urge. I think I still had one contraction and only then came the pee, bursting out painfully in a long stream that all heard outside of the bathroom.
Next I went back to the room, that felt like a quiet and cosy environment, to get dressed. Luís helped me and the midwife came shortly after, asking that I wput on some socks. Then she came up closer to me, looked in my eyes, smiled and asked if I was feeling that the contractions were different. They were! I felt them with all my body, I wanted to become weightless and only rely on my arms. Another contraction came and she held me in a tight embrace, very close to her, one of her hands supporting my lower back. Such a powerful hug! We remained like that while the contraction lasted and then, when we stepped back, we only smiled to each other. She suggested that I, leaning on my stand-altar, would make figure eight movements with my hips, and so I did.

In the meanwhile, I started to be less aware of what was happening around me. I was in my own little world, leaning on the altar, encapsulated by the scent of the jasmine and the contractions, ‘singing’ with them. I only vaguely remember Luís and Muni fussing around getting the bed ready and bringing in a chair. The chair was set upside down on the low bed and covered with pillows and I leaned on it, standing on my knees.

I surrendered to the contractions. I was in this world of sounds that came from my throat, I felt really happy with each new contraction, feeling no pain, only a strong pressure on the centre of my body, on the mouth that was opening. I remember smiling a lot, turning to the wall, while Luís and Muni kept massaging me. The midwife said several times that I could push if I felt like it, but I wasn’t. I tried once, but it felt forced, so I didn’t persist, it was still not the time for it.

My position wasn’t totally comfortable for my knees, but was the one I felt most like remaining in, although the midwife reminded me that I could move around as I pleased. I remember feeling really hot, sweating a lot, taking off the dress and then also the birthing necklace, which I couldn’ bear on my skin. Every time I looked to the water, the midwife knew I was thirsty, I never had to ask. I could feel Luís’s caresses and massages on my back and Muni’s on my legs, I couldn’t see them, but it was good to have them there. I can’t remember if I asked or if they offered me a wet towel and I just rolled it around my neck, a wonderful freshness. I asked for someone to get my socks off, I was hot everywhere.

I don’t really know how long it went by, but at a certain moment the midwife asked me to turn so she could check me. She smiled and said that I was right after all and Violeta was only going to be born on the 19th, I was only 7cms dilated.

It was about midnight and we all decided to rest a bit. I was feeling I had to sleep a little, so there I went to the bed with Luís.
We lay down, but the rest I was longing for was not coming. There was no time to fall asleep between contractions and they were getting stronger. I didn’t want to wake Luís up, whom I thought was sleeping (he was awake, a bit worried, but letting me determine my own pace).

Laying in bed felt just terrible and almost unbearable, I went to the bathroom maybe 3 times, to try to pee, but it would take a long time for it to come out and the urine would come in small painful outbursts, like when I was coming from the pool.

Each time more out of control, I decided not to go back to bed and just stay in the bathroom. I felt pain for the first time and was starting to lose the confidence I was feeling until then. I sat on the toilet and tried to get a grip on myself. I remembered what the midwife had said that afternoon, to relax and to try not to accumulate tension on my body. To avoid tightening my fists, I would put my right hand on the hand washing basin in front of me and feel the pressure of the palm against its surface. I was feeling alone and scared and that was the crack through which came in the pain I still hadn’t felt. Even though, I still hung there for a while, my ‘singing’ louder and more desperate.
At a certain moment, it hurt more and I felt something ripping and gushing out of me. I peeked into the toilet and saw blood and fluids. The membranes had broken. Then I couldn’t stand it any more and shouted for Luís, who came running. I asked him to go wake up the midwife and she also came to meet me at the bathroom. She sat beside me, with a trustful spark in her eyes that began to bring me back to my centre. It took a little while. Before calming down, I remember screaming for the first time, i screamed every time a contraction came, felt like I was screaming to wake up the whole night. I woke up Muni, who also came down to meet us. I vaguely remember her and Luís coming and going from the bathroom, doing what the midwife was asking. I couldn’t hear anything. The birthing necklace came loose and almost fell in the toilet, I was fast enough to grab it on time and set it down on the wash basin, where it ended up staying. Little by little, I totally calmed down and the confidence came back, my breathing stabilised, I stopped screaming and the contractions were not painful like before. I could feel my body starting to push by itself and understood what the midwife was saying with ‘if you feel the urge to push’. She was still sitting besides me, smiling when I looked at her, saying that I was doing very well. It was beautiful and magical the way she helped me to calm down only through her smile and presence.

Shortly after, she asked me to stand up, placed a sanitary napkin between my legs and we went back to the bedroom. They had set up everything again and placed the chair back on the bed. I went back to the kneeling position, leaning on the chair.

Now all my body was saying to push. I did what he was telling me to do, but it was hard. I could feel Violeta’s head going down a little, I pushed with all my might but then could hold it no longer and the head went back up again. The midwife explained that it was supposed to be this way, it was her getting her path ready. I was breathing very hard the first times this happened and the midwife asked me to try to control my breathing, or I would end up with too much air inside. So I did and managed to remember her words every time I realised I was panting too much. Sometimes she would ask me to get up on my knees so she could hear the baby’s heart beat and it was always there, in tune and so low down there, almost on top of my pubis.

For a while we remained like this, me pushing hard the head that kept coming back up. I was feeling I wasn’t strong enough to do it better, thinking stupid things like ‘I will never want more babies’. The midwife told me not to push with my throat but with the centre of my body that was opening up.
Then she asked me to turn belly up, because she wanted to examine me again. I left the chair, that was hurting my knees, and leaned my back on Luís, holding hands with him.

She examined me, there came the next contraction. With it, my right leg jumped up, the left one went with it and I started pushing again with renewed strength. I think I was in need of a change of position!

The midwife laughed, said something like ‘so let’s do it the traditional way’ and I just pushed more and more. Sometimes, she would remind me not to push with my throat and to place my chin to my chest. I wanted someone to hold my legs and was pushing harder, crushing Luís’s hands in mine, totally blind to everything around me. Afterwards, he told me we were doing a kind of arm wrestle with both hands, balancing our combined strength in the middle, in a balanced effort.
Shortly after, the midwife said that the baby was already in my vagina, now it couldn’t go back anymore, and asked me that, if I couldn’t keep on pushing, I would hold my vaginal muscles, pant hard and push again. One of those times, she asked if I wanted to feel her little head, I said I did, stretched my hand, touched myself, but couldn’t tell if I was feeling myself or her, so got my hand out of there and focused again on the contractions. No more than 3 or 4 times more did I push and finally started to feel my body stretched to it’s maximum, the head crowning and jumping out. Until then I was being guided by the midwife on the pushing, but when I felt the baby’s head out I just wanted to keep going. I pushed very hard and there came the body. It was 2.20am.

Hands passed her to me and I feel myself bursting, like if I wanted to cry and laugh at the same time. I lay her on top of me, her eyes are so open! The broad chin, so much hair, my hand grabs that delicious little butt. So clean, with such soft skin. And she looks at me with this incredibly deep look, then to her father, again to me and again to her father. She didn’t cry, made gentle noises, just looking. She peed over me, a warm wave over my belly. I started to laugh uncontrollably, the four of us look at each other and we all laugh and laugh, a wave of happiness filling up the room. The midwife asks me if I’ve counted her fingers and toes, I say I haven’t and she suggests I set her on my bent legs in order to have a better look at her. Oh such delight, such great love!
About five minutes later I feel again an urge to push and the placenta is born, a warm and soft mass. They show it to me and I thank her. The midwife asks what we intend to do with it and, since we don’t know yet, she places it in a pink bag next to us.

I kept laughing and laughing for a long time, somehow hysterically happy. I couldn’t stop looking at her, full of this amazing feeling of ‘so it was you that was here inside of me’, recognition and amazement, all mixed together.
Another reason for happiness was when the midwife told me, with a big smile, that I hadn’t torn! It’s just a matter of giving time to your body.

I was with Violeta laying over me for a long time, full of love, joy and happiness. Tried to put her to the breast, but she didn’t take it, so I just kept her close to me, in a warm and good embrace. Luís prepared the bed so we could sleep and brought her clothes. We decided to cut the umbilical cord and Luís did it.

The dogs were then allowed inside the room and came to greet her and smell her head.

The midwife weighed and measured her (2720kg, 49cms) and we got her dressed for the first time.

We then went to sleep, as a family, with a little fairy sleeping in between us.
This was the best experience of my life. I give thanks to Violeta, Luís, Mary and Muni.

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