A minha parteira, Françoise, afectuosamente conhecida por Mamacita, e a sua assistente, Alexandra, chegaram no dia 13 de Janeiro e instalaram-se na casa da minha vizinha até ao nascimento do nosso bebé. Numa conversa com a Mamacita no dia seguinte, declarei que me sentia finalmente pronta para que este bebé, o meu terceiro, chegasse.

Nas primeiras horas do dia 15, senti ondas de sensações que começavam no meu sacrum e se moviam para a zona do meu ventre. Estes foram os primeiros sinais físicos de que o parto se encontrava iminente.

Full Moon Rising - EXPLORE #465!  :)

No entanto, a espera demoraria ainda mais nove dias, tempo durante o qual passei por uma lenta e suave preparação a muitos níveis para a chegada do bebé. Esses dias formam uma parte importante do relato de parto da minha filha. Experienciei muitas emoções diferentes, desde alegria e antecipação até tristeza e desilusão; dei belos passeios na natureza e banhei-me à meia-noite na luz leitosa da lua cheia; desenvolvi uma relações próxima e de confiança com a minha parteira enquanto tricotávamos e conversávamos até ao anoitecer daqueles entardeceres de inverno; as mulheres da minha comunidade local reuniram-se em círculo em torno de mim para abençoar esta nova etapa da minha jornada na maternidade; e também dancei e chorei sozinha, desejando que a espera terminasse para que eu pudesse conhecer o meu bebé.

Eventualmente, depois do que me pareceu como uma longa sequência de noites, em que sentia um ritmo emergente de contrações que depois abrandava pelas manhãs, algo se alterou. Na noite de 25 de Janeiro, um dia depois da lua cheia e da data das minhas 40 semanas, dormi profundamente na primeira metade da noite e depois acordei com uma forte «onda» às 2h30 da manhã, seguida por outras até às 5h30 quando me levantei para ir à casa de banho. Depois de descansar por mais uma hora, levantei e esperei para perceber se as contrações leves iriam desvanecer-se tal como nas outras manhãs. Pelo contrário, elas continuaram, muito gradualmente tornando-se mais fortes à medida que que o tempo passava.

O meu marido, Prem, foi trabalhar para o seu escritório na aldeia próxima sabendo que voltaria para casa se se tornasse evidente que eu estava a iniciar o trabalho de parto. Os meus dois filhos e eu caminhámos até à casa da nossa vizinha para dizer à Alexandra que parecia que eu estava nas fases iniciais do trabalho de parto. Ela e as crianças prepararam um delicioso leite de chufa (tiger nut) para todos bebermos, que era a sua especialidade, enquanto eu permaneci sentada a observar as suas andanças e a crescente intensidade das ondas.

Decidimos ir dar um passeio. A Alex, a minha outra vizinha e amiga Zoë, cinco crianças e eu fomos pelo caminho que circunda o vale na direcção da aldeia. Um caminho que me tinha agradado explorar umas quantas vezes nos dias anteriores. O sol brilhava mas havia um nevoeiro leve sobre o vale enquanto caminhávamos. Tive que parar algumas vezes para uma contração, que se tornavam notadamente mais fortes. Depois de alguns minutos a caminhar, percebi que devia regressar a casa e começar a fazer preparativos para o parto. A Zoë ofereceu-se para continuar com as crianças até à aldeia enquanto que a Alex e eu voltámos para trás. Neste ponto, enviei uma mensagem ao Prem para lhe dizer que eu estava definitivamente a entrar em trabalho de parto e que nos encontrássemos em casa.

A Alex e eu passámos a dizer à Mamacita o que estava a acontecer e pouco tempo depois ela veio para nossa casa para ajudar a ter a piscina de parto pronta.
Eu tinha dado à luz em casa «em terra» a ambos os meus filhos. Originalmente não tinha planeado parir este terceiro bebé na água, mas depois de escolher a Mamacita como minha parteira senti-me contagiada pela sua paixão por partos na água e decidi que iria experimentar.

A tarde passou-se com tranquilidade. Entre o Prem, a Alex e a Mamacita, não tardaram a encher a piscina com água morna e acendemos o fogão a lenha para manter a divisão quente.

The Warmth of Winter

As ondas estavam a tornar-se mais fortes e mais longas mas eu ainda estava muito «no mundo». Almocei, joguei um jogo com o Prem e o meu filho mais velho, Surya, que tinha voltado do passeio enquanto que o seu irmão, Kaly, ficou a brincar em casa da Zoë. Estivemos um pouco sentados lá fora a desfrutar dos últimos raios de sol da minha barriga antes de ele se esconder atrás das montanhas.

Pelas 4h da tarde, decidi deitar-me no quarto para descansar um pouco antes do início da parte mais forte do trabalho de parto. Cerca de uma hora depois, a intensidade das contrações tinha aumentado até ao ponto em que respirar já não era suficiente para gerir com as sensações e eu comecei a fazer barulhos com cada uma. Estavam a tornar-se mais longas, mais fortes e mais próximas umas das outras.

Neste ponto, comecei a sentir-me ansiosa de que não seria capaz de lidar com o parto se este continuasse por várias horas e com crescente intensidade. A Mamacita entrou para ver como eu estava e eu expressei os meus medos. Ela encorajou-me a manter-me presente, pois eu não sabia como as coisas iam progredir. Ela supôs que eu estaria provavelmente com 5cms de dilatação, já que esse é um ponto onde é comum que surjam ansiedades do género.

Pouco tempo depois, comecei a pensar em entrar na água. A Mamacita sugeriu ouvir o batimento cardíaco do bebé com o fetoscópio (nem ela nem eu queríamos usar equipamentos de ultrasons). Foi difícil para mim deitar para trás confortavelmente e uma contração forte tornou-o impossível.

Eram cerca de 5h45 quando me levantei de novo e as contrações vinham fortes e rápidas enquanto me despi e fui para a sala onde estava a piscina. Senti-me afundar num estado alterado de consciência em que a linguagem e o pensamento se tornaram difusos. Conseguia sentir a sensação de peso da cabeça do bebé a entrar no canal de parto, embora me parecesse um pouco cedo.

Pelas 6h da tarde, a Mamacita ajudou-me a entrar na piscina. Ao princípio, não sabia se estava a gostar da sensação de estar dentro de água, mas rapidamente me habituei. Estava virada para fora da piscina, com os braços sobre o lado e o meu corpo numa posição erguida. Sabia bem ter a água a suportar o peso do meu corpo.
Depois de duas contrações, senti a bolsa inchar, esticar e rebentar e os fluidos começarem a sair. A Mamacita disse-me que estavam límpidos.

As ondas eram muito intensas agora e eu estava a fazer sons longos e baixos ao longo de cada uma delas. Senti vontade de puxar mas a Mamacita encorajou-me a inalar profundamente e expirar ao invés de puxar. Desta forma, a minha respiração iria dar oxigénio a mim e ao bebé e permitir-lhe fazer caminho através do canal de parto. Eu conseguia sentir a cabeça do bebé muito em baixo e com cada contração sentia-a a mover-se para baixo enquanto eu tentava resisitir ao desejo de puxar. Era desafiante tentar esta técnica diferente, já que eu tinha puxado ambos os meus filhos para fora, mas parecia-me mais suave para o meu corpo e para o bebé. Por vezes, apertei a mão da Mamacita. Ela acompanhou-me nas respirações. Se alguém que não ela estivesse a falar comigo nesse momento, eu teria ficado irritada, mas tinha desenvolvido uma grande confiança nela e valorizava a sua presença e orientação neste momento. O Prem foi uma presença silenciosa, tal como o desejei. Os meus dois partos anteriores haviam-me ensinado que o meu trabalho de parto acontece melhor quando eu tenho a menor interacção com outros possível e me sinto completamente desinibida.

Pelas 6h30 da tarde, a cabeça emergiu, rapidamente seguida pelos ombros, os braços e depois o alívio quando o resto do corpo escorregou para fora. A Mamacita disse, «É uma menina e ela está a nadar!». Eu virei-me e perguntei se a podia levantar. Não podia acreditar que era uma menina. Tinha-me preparado mentalmente para ter outro menino, embora desejasse profundamente dar à luz uma filha. Mantendo o seu corpo debaixo de água e a cabeça fora, segurei-a contra mim. Ela respirou pela primeira vez menos de um minuto depois. As vias aéreas da bebé estavam um pouco bloqueadas com muco e ela chorou e teve alguma dificuldade em inicialmente agarrar a mama. Neste momento, ambos os meus filhos estavam junto à piscina. Surya, para seu grande contentamento, tinha entrado silenciosamente mesmo quando o bebé estava a sair o Kaly tinha chegado um pouco depois.

Meia hora depois, nasceu a placenta sem quaisquer complicações. Perdi uma pequena quantidade de sangue, mas, para além de me sentir um pouco trémula, estava bem.

Segurei a minha nova filha nos braços durante um pedaço, descansando na água enquanto ela mamava. O meu marido e os meninos ficaram sentados na beira da piscina enquanto todos nos deliciámos com o novo membro da nossa família. O Prem cortou o cordão umbilical e depois pegou na bebé enquanto a Mamacita e a Alex me ajudaram a sair da piscina e ir para a cama onde podiamos continuar a desfrutar do contacto pele com pele com a nossa filha.

Baby Hand

Durante os dois dias seguintes, a Alex e a Mamacita vieram visitar regularmente e verificaram tanto a mim como à bebé para assegurar que estávamos a recuperar bem do parto e que a amamentação se estabelecia de forma saudável. O cuidado pós-parto incluiu fazerem-nos um banho quente com plantas curativas e calmantes e um exame detalhado da placenta. O Prem depois desidratou a placenta para que eu a pudesse consumir como forma de ajudar à minha recuperação.

Demorou algum tempo até que nos decidissemos num nome para a nossa menina. Depois de duas semanas, resolvemo-nos pelo nome Sashi, que significa «lua» em Sânscrito. Demos-lhe o segundo nome, Lily, como a sua bisavó.

Sashi Lily Rose, nascida a 26 de Janeiro de 2016.

——————————

My midwife, Françoise, affectionately known as Mamacita, and her
assistant, Alexandra, arrived on the 13th January and settled in to
stay at my neighbour’s house until our baby’s birth.
In a conversation with Mamacita the following day, I declared that I
finally felt ready for this baby, my third, to arrive.

In the early hours of the 15th, I felt waves of sensations beginning
in my sacrum and moving to my womb area. These were the first physical
signs that the birth was imminent.

However, it was to take another nine days, during which time I went
through a slow and gentle preparation on many levels for the baby’s
arrival.
Those days form an important part of my daughter’s birth story. I
experienced many different emotions, from joy and anticipation to
sadness and disappointment; I went on beautiful walks in nature and
stood outside at midnight in the milky light of the full moon; I
developed a close and trusting relationship with my midwife as we
knitted and chatted into the dark of the winter evenings; the women of
my local community circled around me to bless this next chapter of my
mothering journey; and I also danced and cried alone, willing the
waiting to come to an end, so I could meet my baby.

Eventually, after what felt like a long string of nights, when I would
feel an emerging rhythm of contractions that would then die down in
the mornings, something shifted. On the night of the 25th January, one
day after the full moon and my 40 week date, I slept deeply for the
first half of the night and then awoke to a strong ‘wave’ at 2.30am,
followed by more until 5.30am when I got up to use the toilet.
After resting for another hour, I got up and waited to see if the mild
contractions would fade as they had done on the other mornings.
Instead they continued, very gradually getting stronger as time went
on.

My husband, Prem, went to work at his office in the nearby village
with the understanding that he would return home if it became clear
that I was going into labour.
My two sons and I walked to our neighbour’s house to tell Alexandra
that it seemed I was in the early stages of labour. She and the
children prepared some delicious chufa (tiger nut) milk for us all to
drink, which was her speciality, while I sat and observed the coming
and going and increasing intensity of the waves.

We decided to go for a walk together. Alex, my other neighbour and
close friend Zoë, five children and I headed off down the high track
that skirts the valley towards the village. A trail that I had enjoyed
exploring a few times in the preceding days.
The sun was shining but there was a misty haze over the valley as we
headed along the path. I had to pause now and then for a contraction,
which were getting noticeably stronger. After several minutes of
walking, I realised I needed to head home and start making
preparations for the birth. Zoë offered to carry on with the children
into the village while Alex and I turned back. At this point, I sent a
message to Prem to tell him that I was definitely heading towards more
established labour and he should meet me at home.

Alex and I passed by to tell Mamacita that things were developing and
a short while later she came to our house to help get the birth pool
ready.

I had given birth at home on ‘dry land’ to both my sons. I hadn’t
originally planned to birth my third child in water, but after
choosing Mamacita as my midwife, I found her passion for water birth
contagious and decided I would try it.

The afternoon was quite relaxed. With help from Prem, Alex and
Mamacita, it didn’t take long to fill the pool with warm water and we
lit the woodburning stove to keep the room warm.

The waves were getting stronger and longer but I was still very much
‘in the world’. I ate lunch, played a game with Prem and my eldest
son, Surya, who had returned from the walk while his brother, Kaly,
stayed playing at Zoë’s. We took a few moments to sit outside
enjoying the last rays of sun on my belly before it dipped behind the
hills.

At about 4pm, I decided to lie down in the bedroom to get some rest
before the hard work of real labour began. By about an hour later, the
intensity of the contractions had increased to the point that
breathing was not enough to manage the sensations and I started making
noises through each one. They were getting longer, stronger and closer
together.

At this stage, I began to feel anxious that I wouldn’t be able to cope
with the labour if it were to continue for several more hours and with
increasing intensity. Mamacita came in to check on me and I voiced my
fears. She encouraged me to stay present, that I didn’t know how
things would progress. She guessed that I was probably about 5cm
dilated as that was a point at which such anxieties sometimes arose.

Soon, I started thinking about getting into the water. Mamacita
suggested that she try and listen to the baby’s heartbeat with the
pinard (neither she nor I wanted to use ultrasound equipment). It was
difficult for me to lie on my back comfortably and a strong
contraction made it impossible.

It was about 5.45pm when I got up again and contractions were coming
thick and fast as I undressed myself and walked into the living room
where the pool was set up. I felt myself succumbing to an altered
state of consciousness now, as language and thought became blurry. I
could feel the bearing down sensation of the baby’s head entering the
birth canal, even though it seemed quite soon.

At about 6pm, Mamacita helped me into the pool. I didn’t know whether
I liked the sensation of being in the water at first, but I soon got
used to it. I was facing the outside of the pool, with my arms over
the side and my body in an upright position. It felt good to have the
water support the weight of my body.

After two contractions, I felt the amniotic sac bulge, stretch and
burst and the fluids start gushing out. Mamacita told me they were
clear.

The waves were very intense now and I was making long, low noises
through each one. I felt the urge to push but Mamacita encouraged me
to take deep inhalations and blow out instead of pushing. In this way,
my breath would give oxygen to me and the baby and allow her to make
her own way down the birth canal. I could feel the baby’s head very
low down and with each contraction felt it moving down as I managed to
resist the desire to push.
It was challenging to try this different technique, as I had pushed
both my sons out, but it felt more gentle for my body and for the
baby. At times, I gripped on to Mamacita’s hand. She talked me through
the breathing. If anyone else had been talking to me now, I would have
been irritated, but I had developed a great trust in her and I valued
her presence and guidance at this point.
Prem was sitting quietly in the background, a silent witness, which
was as I wanted it. My previous two births had taught me that I
laboured best when I had as little interaction with others as possible
and felt completely uninhibited.

By 6.30pm, the head emerged, quickly followed by the shoulders, the
arms and then the relief as the rest of the body slipped out.
Mamacita said, “It’s a girl and she is swimming!”
I turned and asked if I could lift her up. I couldn’t believe she was
a baby girl. I had mentally prepared myself for having another boy,
although I deeply wanted to give birth to a daughter.
Keeping her body under the water and her head out, I held her against
me. She took her first breath under a minute later.

The baby’s airways were a bit blocked with mucus and she cried and had
trouble latching on to the breast initially.
By this point, both my sons were by the pool. Surya, much to his joy,
had entered quietly just when the baby was coming out and Kaly had
arrived shortly afterwards.

Within half an hour, I delivered the placenta without any
complications. I lost a small amount of blood but apart from feeling a
little shaky, I was fine.

I held my new daughter in my arms for a while, resting in the water
while she nursed. My husband and the boys sat at the edge of the pool
as we all gazed in wonder at this new member of our family.
Prem cut the umbilical cord and then he held the baby while Mamacita
and Alex helped me get out of the pool and into the bed where we could
continue cuddling skin to skin with our daughter.

During the following two days, Alex and Mamacita came regularly to
visit and check me and the baby to ensure we were recovering well from
the birth and getting off to a healthy start with the breastfeeding.
The postpartum care included making us a deep, warm bath infused with
healing, soothing herbs and a detailed examination of the placenta.
Prem then dehydrated the placenta so that I could consume it to aid my
recovery.

It took us some time to decide on a name for our baby girl. After two
weeks, we settled on the name Sashi, which means ‘moon’ in Sanskrit.
We gave her the middle name, Lily, after her great grandmother.

Sashi Lily Rose, born 26th January, 2016.

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