(English version below)

O relato de um novo pai, o Javi.

Existe um antes e um depois na vida dos homens. Existem situações em que a realidade te coloca no teu lugar e aí se levanta a profunda compreensão do valor das coisas que vês e das que não vês.

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Na aventura da gravidez, em que a Laura e eu entrámos há mais de 9 meses, não sabíamos o que encontraríamos a cada novo passo, como seria o dia que se seguia ou onde o amor nos levaria. Durante esse tempo, o medo que move o mundo por vezes tomava conta de nós, como uma sombra que se agarra às mentiras que contamos a nós mesmos. Outras vezes, o amor era mais forte e, nesses momentos em que tudo se encaixa, a luz, a sabedoria, o espírito e o coração eram um só.

Quando chegámos às 40 semanas, e o nosso menino não decidiu aparecer, os médicos fizeram-nos ficar nervosos, falaram de riscos, estatísticas… mas a Laura, com grande coragem, decidiu que ainda não tinha chegado o tempo, se o nosso filho não tinha dado ainda os sinais. Existia algum motivo mais importante pelo qual esperar. E esperámos, à procura de pontos de encontro, onde deixar os egos de lado e sermos capazes de nos olhar nos olhos, encontrando-nos um no outro.

Um dia antes do limite da indução (42 semanas), finalmente o bebé deu sinais. Era chegado o tempo. Entrámos no carro, Laura, a nossa doula e amiga Mariana e eu, a caminho do hospital da Póvoa de Varzim, onde havíamos decidido que encontraríamos o cuidado que desejávamos.

E então, um homem como eu, entra com a sua mulher numa dimensão diferente, um lugar desconhecido, seguramente um dos locais mais cruamente mágicos que existem, o local para dar à luz. Todavia, não é um lugar, é um portal que uma mulher grávida abre, no qual estão reunidos os poderes e virtudes da própria vida.

Nas 18 horas do trabalho de parto, assisti a uma das mais poderosas experiências ancestrais que existem, algo que durante anos estava vedado aos homens. Neste local, e quando a mulher que faz nascer todo este redemoinho de emoções, é respeitada, alegria e tristeza, frustração e poder, dor e prazer, sussurro e grito, amor e fúria, vida e morte, Unem-se na mesma experiência.

Foi nesse momento que me apercebi de que a Laura, tal como todas as mulheres antes dela, e todas mulheres do amanhã, possuem o maior poder que existe, a vida. E nesse processo cru e intenso, elas são Super Mulheres amorosas, fortes, sábias, resilientes.

A sociedade de todos nós, que é também a sociedade do homem que teme o poder da mulher, arrancou das mulheres a oportunidade de conhecer esse poder, através do medo e de histórias que tentam tornar-nos dependentes, ignorantes, desconectados de nós mesmos. E depois desse poder que os homens simultaneamente desejam e invejam nas mulheres, apenas existem duas opções: ou sentes fúria por saber que elas são mais poderosas e as tentas subjugar das formas mais subconscientes e subtis; ou as veneras, ajoelhado, e te rendes a elas, honrando o seu poder, partilhando dessa luz que nos ilumina.

E a Laura não somente suportou essa força, ela confessou-me que depois de um certo momento, ela não sentia as enfermeiras presentes no quarto, ela sentia mulheres, e eu abracei o «novo homem», que me mostrou novas formas de ser, de ser «uma árvore que não pode ser movida». E qual foi o meu papel em tudo isto? Presença, a presença de que falamos, na qual todo o nosso ser alcança cada momento.

Como estou consciente agora do poder das mulheres? Ajoelho-me, como antes ajoelhei perante as flores de cerejeira na primavera, ou os ocasos que pintam o céu, ou as noites estreladas que nos recordam o milagre de estar vivos, ajoelho porque apenas desta forma a nossa existência nos permite encontrar aquele sítio onde homens e mulheres realmente se amam uns aos outros. Ajoelho-me porque esta posição no trono do homem poderoso foi construída com pedras de medo. E, finalmente, ajoelho-me porque simplesmente ao abrir o coração ao amor encontraremos de novo o que sempre fomos, uma pequena peça de um grande todo.

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Agora, a Laura e eu temos um bebé com 5 dias. E eu vou continuar sem saber o que nos espera no próximo passo, mas uma coisa eu sei, sou um agora diferente. Uma vida nova, uma nova família, um homem novo, um Pai.

Agradecido a todos do fundo do meu coração,

Javi

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The story of a new father, Javi.

There is a before and after in the life of men. There are situations in which reality puts you in your place, and there arises the deep understanding of the value of the things you see, and those you do not see.

In the adventure of pregnancy, in which Laura and I entered more than 9 months ago, we did not know that we would find at every next step, as would be the day that would follow the other, or where the love would take us. During that time, the fear that moves the world, sometimes takes over us, like a shadow that clings to the lies we tell ourselves. At others, love was stronger, and in those moments in which everything fits, the light, the wisdom, the spirit and the heart was all a one.

When we arrived at 40 weeks, and our little boy did not decide to appear, the doctors made us nervous, talked about risks, statistics … but Laura, with great courage, decided that it was not yet the time, if our son did not give us signals, there would be some more important reason to wait. And we waited, looking for meeting points, where to leave the egos aside, and be able to look us in the eye to find us in each other.

One day before the limit of the induction (42 weeks), finally the baby gave signals. It was time. We entered the car, Laura, our doula and friend Mariana, and I, on the way to the hospital of Povoa de Varzim, where we decided that we would find the care we wanted.

And then, a man like me, enters with his wife in a different dimension, an unknown place, surely one of the most crudely magical places that exist, the place where to give birth. But it is not a place, it is the portal that a pregnant woman opens, in which are gathered the powers and virtues of the life in itself.

In the 18 hours of labor, I attended one of the most powerful ancestral experiences that exist, something that for years was vetoed for men. In this place, and when the woman who gives rise to all that whirlwind of emotions, is respected, joy and sadness, frustration and power, pain and pleasure, whisper and scream, love and anger, life and death, Unite in the same experience.

That’s when I realised that Laura, like all women before her, and all the women that will be tomorrow, sustain the greatest power that exists, life. And in that raw process, they are loving, strong, wise, resilient, Wonder Women.

This society of all of us, which is also the society of man who fears the power of women, wrenched from women the opportunity to know that power, through fear, and stories that try to make them dependent, ignorant, disconnected from themselves . And after that power that men both crave and envy in women, there are only two options: either you feel anger to know that they are more powerful, and you try to subdue them even in the most subconscious and subtle ways; or worship them, you kneel , And you surrender to them, honouring their power, sharing that light that enlightens us.

And not only was Laura to support that strength, she confessed to me that after a certain moment, she did not feel nurses in the room, she felt women, and I embraced the “new man”, who showed me new options to be, to be “a tree that can not be moved”. And what was my role in all this? Presence. The presence of which we speak, in which your whole being grasps every moment.

What choice do have I now that I am aware of the power of women? I kneel, as I once knelt before the cherry blossoms in the spring, or the sunsets that paint the sky, or the starry nights that remind us of the miracle of being alive. I kneel because only this way our existence allows us to find that place where men and women really love each other. I kneel because this position on the throne of the mighty man was built on stones of fear. And finally I kneel because just opening the heart to love, we will find again what we always were, a small piece of a great whole.

Now Laura and I have a 5-day old baby. And I will continue without knowing what waits for us in the next step, but there is one thing that I know, I am different now. A new life, a new family, a new man, a Father.

Thank you all from the depths of my heart.

Javi.

 

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