O nascimento de um pai

(English version below)

O relato de um novo pai, o Javi.

Existe um antes e um depois na vida dos homens. Existem situações em que a realidade te coloca no teu lugar e aí se levanta a profunda compreensão do valor das coisas que vês e das que não vês.

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Na aventura da gravidez, em que a Laura e eu entrámos há mais de 9 meses, não sabíamos o que encontraríamos a cada novo passo, como seria o dia que se seguia ou onde o amor nos levaria. Durante esse tempo, o medo que move o mundo por vezes tomava conta de nós, como uma sombra que se agarra às mentiras que contamos a nós mesmos. Outras vezes, o amor era mais forte e, nesses momentos em que tudo se encaixa, a luz, a sabedoria, o espírito e o coração eram um só.

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7 passos para uma amamentação bem-sucedida

(English version below)

Qualquer mãe a amamentar ir-lhe-á dizer que a amamentação é uma das pedras angulares da recém-maternidade. Não se trata apenas de uma forma de alimentar o seu bebé com um dos alimentos mais nutritivos e milagrosos da natureza, também ajuda a si e ao seu bebé a se unir fisica e emocionalmente e a continuar a relação simbiótica que começou durante a sua gravidez.

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Embora nós, seres humanos, amamentemos os nossos bebés desde o início da humanidade, é uma habilidade que aprendemos e reaprendemos com cada bebé a que damos à luz.

Aqui estão algumas ideias que podem auxiliá-la e ao seu bebé a iniciar com sucesso o seu relacionamento de amamentação:

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Toques: Ferramenta útil ou intervenção desnecessaria?

Inserir os dedos na vagina de uma mulher deve ser uma das formas mais íntimas ou invasivas de tocar o corpo de uma mulher. Ainda assim, este continua a ser o método mais utilizado para determinar a progressão do trabalho de parto.

Existem de facto muitas maneiras para uma parteira avaliar o quanto o trabalho de parto de uma mulher já progrediu, tais como:

  • escutar os sons que ela faz;
  • sentir o odor presente na divisão;
  • verificar a linha púrpura que pode surgir na pele entre as nádegas;
  • notar como a mulher está a interagir com os que a rodeiam.

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Inserting one’s fingers into a woman’s vagina must be one of the most intimate or invasive ways to touch a woman’s body. And yet, this continues to be the most commonly used method of assessing a woman’s progress in labour.

There are in fact many ways that a midwife can assess how far a woman’s labour has progressed, such as: listening to the sounds she makes; observing the smell in the room; checking for the purple line that may rise on the skin between the buttocks or simply noticing how the woman is interacting with those around her.
As well as being an invasive and sometimes painful procedure that may make a labouring woman feel uncomfortable or tense at a time when she needs to feel relaxed and at ease, vaginal exams (VEs) can be problematic for a number of reasons.

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A dor do parto

Extraído de ‘Sentidos do Nascer. Percepções sobre o Parto e Nascimento‘, uma exposição imersiva e interativa que viajou pelo Brasil em 2015. (English translation below)

Se o parto dói? Sim, sempre doeu. Desde os primórdios da humanidade. A dor, além de sinalizar que o bebé está pronto para nascer, é importante para que a mulher volte sua atenção para dentro de si mesma. A dor do parto desliga os sentidos do mundo, distancia o corpo do que é desnecessário, ajuda a dimensionar a relevância do que é trazer à luz uma nova vida.

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O nascimento do Leo

Rita Martins conta a linda historia do nascimento do seu filho. (English below)

Sempre pensei que levaria a vida como uma eterna viajante. Desde pequena que trazia em mim o desejo de levantar asas e deixar o ninho para trás. Recordo-me como me perdia com os olhar e imaginação nos mapas e globos e percorria cada contorno de um mundo ainda desconhecido com vontade de o sorver e tornar real. Mais tarde, seguindo o chamamento de infância, entreguei-me à contínua descoberta, calcorreando solos que me guiavam, emergindo-me em culturas que não a minha, desafiando limites e possibilidades. Sentia-me viva, forte, pioneira. A viagem mais verdadeira, contudo, aconteceu bem depois, já numa fase madura da minha vida, e não a bordo de um meio de locomoção, mas sim dentro de mim: em 2015, engravidei do meu filho Leo. Eis como ele nasceu…

Sê bem-vindo, Ser do Amor!

“O teu cheiro está diferente hoje!”, sussurrou-me o Pedro suavemente ao ouvido naquele acordar domingueiro. Sorrimos um para o outro e, sem pensar mais no assunto, abraçámo-nos longamente num encaixe corporal que a minha barriga orgulhosamente redonda nos permitiu.

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O parto da Sashi

A minha parteira, Françoise, afectuosamente conhecida por Mamacita, e a sua assistente, Alexandra, chegaram no dia 13 de Janeiro e instalaram-se na casa da minha vizinha até ao nascimento do nosso bebé. Numa conversa com a Mamacita no dia seguinte, declarei que me sentia finalmente pronta para que este bebé, o meu terceiro, chegasse.

Nas primeiras horas do dia 15, senti ondas de sensações que começavam no meu sacrum e se moviam para a zona do meu ventre. Estes foram os primeiros sinais físicos de que o parto se encontrava iminente.

Full Moon Rising - EXPLORE #465!  :)

No entanto, a espera demoraria ainda mais nove dias, tempo durante o qual passei por uma lenta e suave preparação a muitos níveis para a chegada do bebé. Esses dias formam uma parte importante do relato de parto da minha filha. Experienciei muitas emoções diferentes, desde alegria e antecipação até tristeza e desilusão; dei belos passeios na natureza e banhei-me à meia-noite na luz leitosa da lua cheia; desenvolvi uma relações próxima e de confiança com a minha parteira enquanto tricotávamos e conversávamos até ao anoitecer daqueles entardeceres de inverno; as mulheres da minha comunidade local reuniram-se em círculo em torno de mim para abençoar esta nova etapa da minha jornada na maternidade; e também dancei e chorei sozinha, desejando que a espera terminasse para que eu pudesse conhecer o meu bebé.

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Afastar o parto das mulheres é uma mutilação da sociedade

Aquí segue uma carta recebida pela Mary Zwart, escrita por uma mãe depois do parto do terceiro filho.

Olá querida Mary,

O Jaime tem agora 3 meses e queria escrever-te desde que ele nasceu.
Ainda me sinto dentro de um sonho. Foi um longo caminho para chegar aqui mas também foi muito rápido. Ando a aprender acerca do parto natural e em casa desde que fiquei grávida pela primeira vez – tudo parecia tão bonito – mas não me atrevia a fazê-lo.

Karine et Zara

Uma vez disseste-me que a decisão de ter um parto em casa seria muito importante para mim e para a minha família mas nesse momento eu não conseguia entender. Não conseguia perceber a dimensão deste evento. Agora sei e espero que este sentimento dure por muito muito tempo. Agora tenho uma perspectiva completamente nova da maternidade, uma nova perspectiva da família, da vida, do AMOR! E também uma nova perspectiva de mim como pessoa, como mulher.

Sinto-me agora tão feliz e completa, confiante e calma – um estado que eu estava tão tão longe de atingir depois de qualquer outro dos meus partos.

Sempre me senti preocupada com o perigo de um parto em casa. Agora, para mim, o perigo é que 3 dias depois de o meu bebé nascer – apenas 3 dias – tinha um desejo quase desesperado tudo aquilo voltasse a acontecer na minha vida.

Depois desta bela experiência, umas semanas depois, tive também um sentimento de que me tornei a minha própria heroína. Não de uma forma narcisista – isso não tem nada a ver comigo – mas de uma forma como encontrei um novo eu. EU CONSIGO PARIR! Eu tenho esse poder – e apenas o descobri quando tive a minha terceira criança. Mas estou tão grata por ter chegado aqui.

Estou tão agradecida por ter tido esta oportunidade e agora tenho tanta pena que sejam tão poucas mulheres a experienciá-lo. Senti mesmo pesar que a minha mãe, depois de 4 partos, não teve a mesma oportunidade que eu tive.

E claro, estou tão agradecida a ti. Por muitas coisas, mas antes de tudo porque me ajudaste a (finalmente) desfrutar da gravidez e só isso foi de extrema importância na minha vida.
Bem haja, Mary, por tudo!
Beijos,

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Hello dear Mary,
Jaime is now 3 months old and I wanted to write to you since he was born.
It still feels like a dream. It was a long way to get there but it was also so fast. I’ve been learning about home and natural birth since I first got pregnant – everything sounded so beautiful – but I wouldn’t dare to do it myself.

Once you told me the decision of a home birth would be so important to me and my family but by that time I couldn’t understand. I couldn’t realize the dimensions of it. I know now and I hope this feeling lasts a long long time. I have now a completely new perspective of motherhood, a new perspective of family, of life, of LOVE! And also a new perspective of me as a person, as a woman.

I feel now so happy and complete, confident and calm – a state I was so so far to achieve after any of the other births.

I was always concerned about the danger of a home birth. Now, for me, the danger of it is that 3 days after my baby was born – only 3 days – I had this almost desperate feeling that I wanted all that to happen again in my life.

After this beautiful experience, a couple of weeks after, I also had a feeling that I became my own hero. Not in a narcissistic way – that’s not me at all – but in the way that I met a new me. I CAN GIVE BIRTH! I have that power – and I found that only when I had my third child. But I’m so thankful I got here.
I’m so thankful I had this chance and now I’m so sorry this is just for few women. I really felt sorry that my mom, after 4 births, didn’t have the chance I had.

And of course, I’m so thankful to you. For many things, but first of all for that you helped me to (finally) enjoy the pregnancy and this alone was of such an importance in my life.
Thank you so much, Mary, for everything!
Love,

Ajudar é não perturbar

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«O parto é um processo fisiológico involuntário; não pode ser ajudado, mas pode ser perturbado.» – Michel Odent (citado de memória do curso Paramana Doula, Janeiro de 2011).

Enquanto que algumas pessoas afirmem que para muitos de nós humanos, o parto pode ser um evento emocional e espiritual, este é incontestavelmente um acto fisiológico.

Muitas vezes falamos de mulheres que são «assistidas» no processo de dar à luz ou mesmo é utilizada a frase «o dr. X fez o parto». Mas como a citação de Michel Odent demonstra, é enganador pensar ou dizer que uma mulher pode ser ajudada a dar à luz. De facto, assumir essa perspectiva pode mesmo causar mais problemas do que trazer resultados positivos.

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Pelo contrário, talvez seja mais seguro afirmar que a melhor forma como podemos apoiar um parto é ajudando a criar as condições nas quais as mudanças fisiológicas necessárias possam acontecer no corpo feminino. Isto significa limitar as perturbações que interferem com estes processos.

De forma a fazer isto, é necessário ter um conhecimento básico da fisiologia do parto.

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O relato de parto da Violeta

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Inês Moura partilha o relato de parto da sua filha, Violeta.

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No sábado, 14 de julho, senti pela primeira vez algo fora do normal. Durante todo o dia tive várias perdas de líquido, pareciam pequenos jactinhos de líquido transparente e inodor que me encharcavam as cuecas de tempos a tempos.

Não me preocupei muito, mas liguei à parteira por descargo de consciência. Ela disse que, assim isoladamente, as perdas não eram algo preocupante, portanto relaxei.

No dia seguinte não houve perdas até ao final da tarde, quando noto, ao limpar-me depois de um xixí, uma tonalidade rosada no papel. Pareceu-me muito bonito, cheirei aquela secreção e fiquei maravilhada: cheirava a fruta! Um cheiro docinho como fruta tropical, gostei ainda mais daquele liquidozinho que me dizia cá dentro que o parto se aproximava.
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Reflexões sobre o parto

Desde que participei na conferência Nascer em Amor organizada pela Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto , tenho vindo a contemplar alguns assuntos diferentes sobre a gravidez e o parto e a aprofundar o meu conhecimento dos direitos humanos nesta área.

Vivi a maior parte da minha vida no Reino Unido e como dei à luz aos meus dois filhos lá, tive a oportunidade de beneficiar de um sistema de saúde materno relativamente progressivo e liberal. Contudo, agora apercebo-me que independentemente dos seus desafios contínuos, o que experienciei foi um previlégio raro, e que aqui em Portugal como em muitos outros países no mundo, mulheres grávidas e em trabalho de parto encontram dificuldades frequentes em fazer escolhas autónomas acerca de onde, como  e com quem recebem cuidados e dão à luz os seus bebés. ais ainda, dar à luz, apesar de ser um evento diário, tornou-se num evento recheado de complicações.

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