Toques: Ferramenta útil ou intervenção desnecessaria?

Inserir os dedos na vagina de uma mulher deve ser uma das formas mais íntimas ou invasivas de tocar o corpo de uma mulher. Ainda assim, este continua a ser o método mais utilizado para determinar a progressão do trabalho de parto.

Existem de facto muitas maneiras para uma parteira avaliar o quanto o trabalho de parto de uma mulher já progrediu, tais como:

  • escutar os sons que ela faz;
  • sentir o odor presente na divisão;
  • verificar a linha púrpura que pode surgir na pele entre as nádegas;
  • notar como a mulher está a interagir com os que a rodeiam.

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Inserting one’s fingers into a woman’s vagina must be one of the most intimate or invasive ways to touch a woman’s body. And yet, this continues to be the most commonly used method of assessing a woman’s progress in labour.

There are in fact many ways that a midwife can assess how far a woman’s labour has progressed, such as: listening to the sounds she makes; observing the smell in the room; checking for the purple line that may rise on the skin between the buttocks or simply noticing how the woman is interacting with those around her.
As well as being an invasive and sometimes painful procedure that may make a labouring woman feel uncomfortable or tense at a time when she needs to feel relaxed and at ease, vaginal exams (VEs) can be problematic for a number of reasons.

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Ajudar é não perturbar

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«O parto é um processo fisiológico involuntário; não pode ser ajudado, mas pode ser perturbado.» – Michel Odent (citado de memória do curso Paramana Doula, Janeiro de 2011).

Enquanto que algumas pessoas afirmem que para muitos de nós humanos, o parto pode ser um evento emocional e espiritual, este é incontestavelmente um acto fisiológico.

Muitas vezes falamos de mulheres que são «assistidas» no processo de dar à luz ou mesmo é utilizada a frase «o dr. X fez o parto». Mas como a citação de Michel Odent demonstra, é enganador pensar ou dizer que uma mulher pode ser ajudada a dar à luz. De facto, assumir essa perspectiva pode mesmo causar mais problemas do que trazer resultados positivos.

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Pelo contrário, talvez seja mais seguro afirmar que a melhor forma como podemos apoiar um parto é ajudando a criar as condições nas quais as mudanças fisiológicas necessárias possam acontecer no corpo feminino. Isto significa limitar as perturbações que interferem com estes processos.

De forma a fazer isto, é necessário ter um conhecimento básico da fisiologia do parto.

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