O nascimento de um pai

(English version below)

O relato de um novo pai, o Javi.

Existe um antes e um depois na vida dos homens. Existem situações em que a realidade te coloca no teu lugar e aí se levanta a profunda compreensão do valor das coisas que vês e das que não vês.

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Na aventura da gravidez, em que a Laura e eu entrámos há mais de 9 meses, não sabíamos o que encontraríamos a cada novo passo, como seria o dia que se seguia ou onde o amor nos levaria. Durante esse tempo, o medo que move o mundo por vezes tomava conta de nós, como uma sombra que se agarra às mentiras que contamos a nós mesmos. Outras vezes, o amor era mais forte e, nesses momentos em que tudo se encaixa, a luz, a sabedoria, o espírito e o coração eram um só.

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A pressão do relógio

A falta de tempo é um dos piores sintomas da nossa sociedade moderna, industrializada, acelerada.

Fast Forward, Underground Garage

A pressão do relógio, das tarefas por realizar, dos empregos em que cada segundo utilizado ou por utilizar significa produtividade ou falta dela, tudo influencia a forma como vivemos as nossas vidas pessoais e familiares, como experienciamos e, acima de tudo, como desfrutamos do que nos é dado a viver enquanto seres neste planeta.

A gravidez é igualmente influenciada por esta obsessão. Tudo começa com a determinação precisa do momento da concepção e, consequentemente, de uma data prevista para o parto. O método comummente utilizado pela medicina alopática fixa-se na contagem do tempo passado desde a data da última menstruação e, actualmente, a realização frequente de ecografias auxilia a encontrar a idade gestacional do embrião.

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Reflexões sobre o parto

Desde que participei na conferência Nascer em Amor organizada pela Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto , tenho vindo a contemplar alguns assuntos diferentes sobre a gravidez e o parto e a aprofundar o meu conhecimento dos direitos humanos nesta área.

Vivi a maior parte da minha vida no Reino Unido e como dei à luz aos meus dois filhos lá, tive a oportunidade de beneficiar de um sistema de saúde materno relativamente progressivo e liberal. Contudo, agora apercebo-me que independentemente dos seus desafios contínuos, o que experienciei foi um previlégio raro, e que aqui em Portugal como em muitos outros países no mundo, mulheres grávidas e em trabalho de parto encontram dificuldades frequentes em fazer escolhas autónomas acerca de onde, como  e com quem recebem cuidados e dão à luz os seus bebés. ais ainda, dar à luz, apesar de ser um evento diário, tornou-se num evento recheado de complicações.

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