Ao optar por ter um parto em casa em Portugal, será possível contar com a assistência de uma parteira. Esta pode prestar cuidados nos períodos pré-natal, de parto e pós-natal.

Parteiras de Cuidados Primários
Neste artigo, referimo-nos explicitamente ao papel de uma parteira de cuidados primários que assiste partos em casa. As parteiras de cuidados primários têm uma formação especializada que lhes permite trabalhar independentemente dos outros profissionais de saúde.

A palavra “parteira” não é habitualmente utilizada em Portugal dado que ainda não existe formação especializada especificamente para parteiras no país. Assim, em hospitais, é comum encontrar Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia, o que significa que eles recebem formação primeiramente como enfermeiros, para depois trabalharem ao lado de profissionais obstetras num ambiente médico.

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Cuidados holísticos individualizados
Uma parteira de cuidados primários irá fornecer assistência individual centrada na mulher e enquadrada num modelo holístico durante todo o período perinatal, através de reuniões regulares com a mulher grávida ou casal.
O cuidado holístico significa que a parteira irá prestar assistência não só durante gravidez -através de informações, exames a fim de verificar o desenvolvimento do bebé, etc. -, mas também no período pós-natal, atendendo às necessidades da mulher à medida que ela se torna mãe.
O atendimento individualizado é fundamental para que a confiança e o vínculo entre o cuidador e o cliente possam evoluir de forma saudável e equilibrada.

Responsabilidades
A parteira é um profissional de saúde que pode diagnosticar e prescrever medicação. Ela é dotada da capacidade de trabalhar dentro e fora do hospital, independentemente dos médicos.
Uma parteira de cuidados primários, ou parteira independente, é responsável pelos cuidados que presta, ao passo que enfermeiros especializados, trabalhando num ambiente hospitalar, em equipa com obstetras e, portanto, não têm responsabilidade separada.

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Trabalho de parto e nascimento
Durante as últimas semanas de gravidez, a parteira está de plantão 24 horas por dia, para que possa ser contactada quando o trabalho de parto for iniciado.
A parteira visa facilitar um parto fisiológico guiado pela mãe e pelo corpo e hormonas do bebé. No entanto, ela chegará a casa da família com o equipamento necessário para ajudar, caso surja alguma complicação básica.

Se, durante a gravidez ou o parto, uma anomalia for diagnosticada para a qual a parteira não está treinada, ela pode optar por transferir a mulher para um especialista em obstetrícia, caso seja necessário. Este passo constituirá o resultado de uma escolha informada e consciente da mãe envolvida. A esta assiste-lhe o direito de recusar a acção sugerida.
Existe a necessidade de uma cooperação estreita entre ambas as partes assim como de
respeito mútuo.

Cuidados pós-parto
Uma parteira de parto domiciliar fará visitas pós-natais a uma mãe em casa, para que ela não tenha que ir a lugar nenhum a fim de receber apoio no âmbito da amamentação ou de exames de recém-nascidos. O principal intuito deste tipo de assistência é evitar infecções e cansaço da mãe e do bebé, permitindo tempo para união e retiro.

O papel da parteira não cessa após a primeira semana. Ela terá contacto durante as primeiras 6 semanas, se necessário. A última visita ocorrerá 6 semanas após o parto, para ver se a mãe fez uma transição positiva, para verificar se a mãe e o bebé estão bem e ter uma derradeira conversa, fechando o ciclo do nascimento.

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When you choose to have a home birth in Portugal, a midwife can provide your prenatal, birth and postnatal care.

Primary Care Midwives
In this article, we are referring to the role of a Primary Care Midwife who attends births at home. Primary care midwives have a specialist training that allows them to work independently from doctors.
The word ‘midwife’ is not commonly used in Portugal, because there is no specialist midwifery training. Hence, in hospitals you find Specialist Nurses in Maternal Health and Obstetrics (Enfermeiras Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica), meaning that they train first as nurses and then specialise to work alongside obstetricians in a medical setting.

One-to-one holistic care
A primary care midwife will provide one-to-one woman-centred care in the holistic model during the whole of the perinatal period through regular meetings with the pregnant woman or couple.
Holistic care means she will try to take care not only of the pregnancy, through information, exams, to see the baby is growing well etc. but also to meet the needs of the woman as she becomes a mother.
Personlised one-to-one care is important so that trust and bonding can develop between care giver and client.

Responsibilities
The midwife is a health professional who can diagnose and prescribe medication. She should be able to work in and outside the hospital independently from doctors.
A primary-care midwife, or independent midwife is responsible for the care that s/he provides. However, specialised nurses who work in a team with obstetricians in a hospital setting therefore have no separate responsibility.

Labour and Birth
During the last weeks of pregnancy, the midwife is on-call 24 hours a day so that s/he can be contacted when labour starts.
The midwife aims to facilitate a physiological birth that is guided by the mother and baby’s bodies and hormones. However, s/he comes to the family home with the equipment necessary to assist should any basic complication arise.
If an abnormality is diagnosed during the pregnancy or labour that the midwife is not trained to deal with, s/he can transfer the woman to a specialist in obstetrics, if necessary. This will be after informed consent and informed choice by the mother involved, where she also has the right to refuse a course of action.
There is a need for close cooperation between the two parts and mutual respect.

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Post Partum Care
A home birth midwife will make postnatal visits to a mother at home so she does not have to go anywhere for breastfeeding support or newborn checks. This to avoid infections and tiring of the mother and baby, and allows time for bonding and retreat.
The midwife’s role does not stop after the first week. S/he will have contact during the first 6 weeks, if necessary, and the final contact will be after 6 weeks, to see if the mother has made a positive transition, to check that mother and baby are well and to have a final talk.

 

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