(English below)

Mary Zwart
Trabalho como parteira há mais de 40 anos e dei assistência em mais de 4000 partos domiciliários até à data. Sou também professora de Obstetrícia, História de Obstetrícia, e Educação Sexual.

A minha experiência adquirida como parteira na Holanda até 1996 deu-me confiança relativamente aos partos domiciliários. O meu lema é: “As mulheres dão à luz, não têm bebés”.

Desde 1985, que sou porta-voz a nível internacional acerca de nascimento e temas relacionados. Defendo as práticas de parto vertical, fora da cama e na água desde que foram introduzidas nos anos 80.

Na minha perspectiva, dar à luz é a coisa mais normal que uma mulher pode fazer, mas tenho observado que as mulheres nem sempre são respeitadas dessa forma. Este facto levou a tornar-me numa activista dos Direitos Humanos no Parto e a ensinar técnicas de parto com mínima intervenção.

Reintroduzindo o modelo de cuidados no parto no domicílio, recomendado pela OMS como o melhor, comecei na Europa de Leste e mais tarde na América do Sul a dar informação, formação e apoio a movimentos cívicos que defendam esta prática.

Neste momento trabalho como parteira em Portugal e dou formação sobre gravidez normal e parto domiciliário.

Na minha perspectiva dar à luz é algo natural, mas hoje em dia, tal como foi provado cientificamente, as mulheres necessitam de mais apoio pois existe mais medo em dar à luz fisiologicamente que no passado.

Teresa Leite
Quando engravidei pela primeira vez, algo em mim dizia que não podia nem queria ter o meu bebé num hospital. Um acontecimento tão privado e tão familiar tinha de acontecer em casa, onde me sentisse confortável e segura. Logo encontrei uma parteira e imediatamente soube que ela estaria connosco nesta aventura. 4 anos mais tarde tive o meu segundo filho também em casa e com a mesma parteira. Ambos os hospitais onde fui seguida, disseram-me que não me podiam ajudar com a minha escolha e acabei por pagar os dois partos por completo sem ajuda dos serviços de saúde nacionais. Por outro lado, senti-me julgada como se as minhas escolhas fossem irresponsáveis e eu estivesse a colocar os meus bebés em perigo. Porque é que os serviços de saúde em Portugal ainda não providenciam mais opções para as mulheres poderem sentir-se seguras com as suas escolhas. Tudo isto me fez pensar que algo tem de mudar e é por isso que faço parte deste movimento.

Lotte Kauffman
Eu nasci como mãe no final de Abril de 2016. A minha filha nasceu num lindo parto em casa nos Países Baixos. A parteira chegou apenas para me apoiar e ao meu companheiro na última hora do parto. Sinto-me muito abençoada por ter tido esta experiência tão empoderadora e pelas semanas seguintes terem sido sagradas onde pude ter tempo e total atenção para conhecer a Isa. Mas não é apenas uma questão de me sentir abençoada eu acredito. É também uma questão de termos consciência de todas as decisões e opções de que tive possibilidade de investigar e tomar enquanto estive grávida.

Eu consigo ver à minha volta, nos Países Baixos, e muito mais aqui na minha nova casa em Portugal, que parecem haver opções limitadas.Vejo como as mulheres temem este acontecimento e tendem a procurar um lado seguro em vez de se questionarem sobre o que verdadeiramente querem. Ao escrever, ao ajudar no marketing e a organizar eventos eu quero ajudar este movimento necessário a crescer e inspirar outras mulheres a recuperar o seu direito sobre os seus partos. A ficarem empoderadas por este evento que muda uma vida e a nascerem como mães.

Roshnii Rose
Quando deu à luz ao meu primeiro filho, apercebi-me que a gravidez, o parto e o começo da maternidade são ritos de passagem muito importantes na vida de uma mulher, que merecem ser honrados e valorizados pela sociedade moderna.

Sou uma mãe de três filhos que nasceram pacificamente em casa e estou, neste momento, a educá-los em casa. Nasci no Reino Unido, estou presentemente a viver no centro de Portugal e sou uma apaixonada por gravidez consciente, nascimentos não intervencionados e amamentação.

Estudei estas áreas com Michel Odent e Liliana Lammers e também no Serviço nacional de Saúde Britânico e, agora quero usar a minha experiência e conhecimento a apoiar mulheres e os seus companheiros na sua jornada de parentalidade aqui em Portugal.

Inês Moura
Jovem era o ano de 1981 quando nasci. Cresci imersa em livros e sonhos, quintais e pinturas, gatos e cães, o mar e a montanha.
Determinada em tornar-me escritora, estudei com paixão. No momento de escolher uma carreira universitária, optei por Relações Internacionais, imaginando todo um futuro em aberto para o mundo, inquisitivo e baseado na cooperação.

Durante alguns anos fiz parte de variadas forças de trabalho, primeiro num jornal, depois numa empresa de tecnologias da informação . Simultaneamente, a minha criatividade era canalizada para o artesanato nas áreas da costura, bordado, crochet, tricot e trabalhos com metal.

Daí despontou um novo foco de interesse fortemente centrado na minha realização pessoal e profissional, pelo que reavaliei o passado e o presente, encarei o futuro e mudei de vida, dedicando o meu tempo à criação de pequenos tesouros feitos à mão.

Chegada ao meu trigésimo inverno, encontrei o amor e descobri-me portadora de outra vida, o que lançou uma nova e poderosa revolução interior. Sou agora mãe de duas crianças maravilhosas, artesã, pensadora, exploradora de saberes e sabores.

Ao integrar Uma Mãe Nasceu – movimento familiar para um parto natural, a minha intenção é encorajar e informar. Acredito que falar acerca do parto é uma forma de criar uma especial consciência nos corações de homens e mulheres. Um parto natural é, por norma, também o nascimento de uma família natural, que se pauta por um profundo amor e respeito pela nossa Terra, uma família que nutre através da parentalidade com apego e portanto cria melhores indivíduos para uma sociedade mais luminosa.

Rita Martins
Iniciei a viagem mais verdadeira e épica de toda a minha vida quando fui presenteada com a gestação do meu filho há dois anos. Por ter acontecido numa fase mais madura e caracterizada por um questionamento intenso da realidade a nós apresentada como sendo única, soube de imediato que gostaria que o meu processo de dar vida se desenrolasse da forma mais natural e próxima da nossa essência possível. Nesta altura, tomei conhecimento da existência de movimentos, nacionais e internacionais, promotores de gravidez e partos conscientes e humanizados e logo me consegui identificar com a sua mensagem poderosa.

No fundo, todos nós buscamos um propósito de existência, e foi através destes interlocutores da consciência que comecei a perceber a dimensão única do nosso papel enquanto pais e mães na (trans)formação do mundo. Fui inundada por uma vontade de viver uma liberdade que só a informação nos permite ter. Senti-me forte e segura de mim, sensação essa que foi amplamente suplantada aquando do parto domiciliário lindo e natural com que fui abençoada meses mais tarde.

Guardo a certeza de que foram os sentimentos de empoderamento e segurança que acompanharam a minha gravidez que me possibilitaram receber a maternidade de forma fluída e serena. Por acreditar piamente no acesso universal a toda essa informação (“information is power!”), para que todos possamos assumir posições e escolhas cada vez mais conscientes e libertadoras perante um enquadramento que não nos dá a voz e nos encara como algo “standard” e protocolar, é que me juntei ao movimento “Uma Mãe Nasceu”. Conhecer os nossos direitos é poder reivindicá-los. Podemos decidir por nós, sim. Podemos ser donos do nosso destino, sim. Dar vida não é enfermidade, é pura magia!

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Mary Zwart
I have been a midwife for over 40 years and have assisted more than 4.000 births at home to date.
I am also a teacher in midwifery, midwifery history and sexual education.

My experience practising as a midwife in the Netherlands until 1996 has given me great faith in home birth. My motto is, ‘Women give birth, they do not deliver babies.’

Since 1985, I have been an international speaker on birth and related topics. I have supported vertical birth, outside the bed and water birth since they were introduced in the `80s.

In my mind, giving birth is the most normal thing a woman can do, but I found that women are not always respected in that way. This turned me into an activist for Human Rights in Childbirth (HRiC) and to teaching about the techniques for hands off birth.

Reintroducing the midwifery model of care, which was recommended by WHO as the best model, I started in Eastern Europe and later in South America to inform, teach and support movements toward this model.

Now I practise as a home birth midwife in Portugal and inform and teach about normal pregnancy and birth.
For me giving birth is a natural thing, but nowadays, as proven by scientific evidence, women need more support as there is more fear about giving birth physiologically than in the past.

Teresa Leite
When I got pregnant for the first time, something in me said I couldn’t and did not want to have my baby in a hospital. Such a private and familiar event had to happen at home, where I felt confortable and safe. Soon enough I found a midwife and immediately I new she would be present with us in this adventure. 4 years later I had my second child also at home with the same midwife. Both hospitals where I did my consultations, told me they could not help me with my choice and I ended up to pay both labours completely without the help of the national health services. Also I felt jugged as if my choices were irresponsible and I was putting my babies in danger. Why is it that the health services in Portugal don’t yet provide more options for women to feel safe with their choices. All this made me think that something had to change and that is why I am part of this movement.

Lotte Kauffman
I was born as a mother at the end of April 2016. My daughter was born in a beautiful homebirth in The Netherlands. Only during the last hour the midwife was there to support me and my partner. I am so blessed to have had this empowering experience and the sacred weeks after this where we had the full time and attention to get to meet Isa. But it’s not only a matter of being blessed, I believe. It is also a matter of being conscious about all the decisions and options that I was able to investigate and make when I was pregnant.

I can see around me, in The Netherlands, and even more in my new home country Portugal, that there are limited options. I see that woman are afraid of this event and tend to stay on the safe side rather than explore what they truly want. By writing, helping with marketing and organizing events I want to help this necessary movement to grow and inspire many women to take back the right over their births. To become empowered by this life changing event and to grow into becoming a mother.

Roshnii Rose
When I gave birth to my first child, I realised that pregnancy, birth and the initiation into motherhood are an important rite of passage in a woman’s life, which deserve to be honoured and valued by modern society.

I am now a home-educating mother of three children, all born peacefully at home. Originally from the UK, now living in central Portugal, I am passionate about conscious pregnancy, undisturbed birth and breastfeeding.

I have trained in these fields with Michel Odent and Liliana Lammers and with the UK National Health Service, and now want to use my experience and understanding to support women and their partners on their journey into parenthood here in Portugal.

Inês Moura
Young was the year of 1981 when I was born. I grew up immersed in books and dreams, backyards and paintings, cats and dogs, the sea and the mountain.

Determined to become a writer, I studied with passion. At the moment of choosing a university path, I opted for International Relations, envisioning an inquisitive and open future for the world, based on cooperation.

For several years I entered into the world of work, first at a newspaper, then at a computer technology enterprise. At the same time, my creativity was channeled to artisanship in the areas of sewing, embroidery, crocheting, knitting and metal work.

From there sprouted a new focus of interest in personal and professional realization. I reevaluated past and present, faced the future and changed my life, dedicating my time to the creation of handmade treasures.

By the time of my 30th winter, I had found love and discovered myself bearing life, which launched me into a new and powerful inner revolution. I am now a mother, artisan, free thinker and explorer of old ways.

Being a part of this movement, my intention is to encourage and to inform. I believe that talking about birth is a way of creating conscious awareness both in men and women’s hearts. A natural birth is, normally, also the birth of a natural family, one that abides by a deep love and respect for our Earth’s environment, a family that nurtures attachment parenting and therefore creates better individuals for a brighter society.

Rita Martins
I initiated the most true and epic journey of all my life when I got pregnant with my son two years ago. As it happened at a more mature stage, in which I was intensely questioning the reality we receive as being the only one possible, I immediately knew that I would like my process of giving birth to unfold in the most natural way possible, as close to our essence as it could be. At that time, I came across several national and international movements which honourably promote conscious and humanised conception, pregnancy and birth, and I felt I could fully relate to their powerful message.

We all seek for a purpose for our existence and it was through these interlocutors of consciousness that I finally perceived the unique dimension of our roles as parents in the (trans)formation of the world. I was stoked, with a need to live the freedom that solely information can allow. I felt strong and confident, and this feeling was widely transcended at the moment of the beautiful and natural home birth I was blessed with a few months later.

I am sure that the empowerment and safety which accompanied my gestation enabled me to embrace motherhood in a fluid and serene way. It is my strong belief that the access to all available information – of any kind – should be made universal (“information is power!”) as it is the only way we can make growingly conscious and liberating choices within a social structure that deals with us as “standard” individuals following a protocol and thus does not hear our unique voice. That is the reason why I have joined “Uma Mãe Nasceu”. To know our rights is to be able to claim them. We can decide for ourselves. We can take our destiny in our hands. Giving life is no disease, it is pure magic!

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